sexta-feira, 29 de maio de 2015

Além da Sala de Aula (2011)

Data de lançamento: 24 de abril de 2011 (mundial)
Direção: Jeff Bleckner
Duração: 1h 40m

   Stacey Bess (Emily VanCamp) sempre desejara tornar-se professora e, desde os tempos de escola, batalhara muito para isso. No entanto, aos 16 anos, acaba engravidando e adiando o tão esperado sonho.
   Mais tarde,  recém-formada e com o apoio do marido e dos dois filhos, ela finalmente parte em busca do primeiro emprego, acreditando ter alcançado suas expectativas. Mas, ao contrário de tudo o que pensara, a escola para qual fora encarregada de trabalhar era um prédio que há muito se transformara em um abrigo para pessoas sem lar.
   A sala de aula se encontrava inteiramente deteriorada; não havia material escolar nem verbas nem diretor; os pais das crianças não demonstravam o menor interesse pela educação dos filhos; e, para piorar, seus alunos eram rebeldes e desrespeitosos.
   Assim, por muitos dias Stacey se sentiu desapontada e sem o menor estímulo para continuar com a árdua função de ensinar as crianças que se propôs a educar. No entanto, para não decepcionar os filhos, ela decide encarar a situação de frente e sair à procura de verbas. Mas só encontra resistência por parte de pessoas influentes.
   Contudo, determinada a fazer algo genuinamente importante para ela e pelos outros, ela planeja medidas inovadoras, que mudarão para sempre sua percepção sobre o mundo e de todas as pessoas que dependem dela.
   "Além da Sala de Aula" é baseado em fatos reais e mostra os desafios de uma jovem professora, que faz o que está ao seu alcance para dar aos alunos uma perspectiva de vida melhor.

Brincando no Espelho - Lamlupe (Laboratório Multidisciplinar Lúdico Pedagógico)

Não consegue assistir? Acesse pelo You Tube

   A expressão corporal trata-se de uma forma de comunicação em que o corpo "fala" através dos movimentos e da expressão facial. Neste vídeo, o professor José Urbano nos ensina como a comunicação e a expressão ajuda no aprendizado.

POR QUE TRABALHAR PROJETOS MULTIDISCIPLINARES?

   

  Projeto multidisciplinar é um ótimo recurso para ensinar desde os anos iniciais, pois além de motivador, esta ferramenta faz com que os alunos construam seus conhecimentos interligando as diversas áreas da aprendizagem; faz com que os alunos compreendam as relações existentes entre as linguagens e dão a eles a oportunidade de transformar a sala de aula em uma comunidade de investigação e pesquisa.

   O projeto multidisciplinar constitui uma condição para a melhoria da qualidade do ensino, pois supera a clássica fragmentação existente entre as disciplinas e contribui para a formação global do educando.

  Ao estabelecer um diálogo entre os conteúdos, levantam-se questões interdisciplinares e identificam-se pontos comuns entre eles, levando o educando a um melhor entendimento do mundo concreto e à compreensão destas relações.Desenvolver competências e habilidades são as palavras de ordem na educação contemporânea, e isso significa possibilitar que os alunos adquiram os saberes fundamentais, que os preparem para a nova realidade social e para o mercado de trabalho; neste sentido, o professor precisa mudar sua postura frente à classe, ou seja, proporcionar atividades que integrem as diversas disciplinas e que façam com que o aluno aprenda a identificar, avaliar, formar, analisar situações e relações, cooperar, agir, participar, partilhar, organizar, construir, elaborar conceitos e gerenciar, que são saberes fundamentais para a construção da autonomia.

   Baseado neste discurso, eu acredito que Projetos Multidisciplinares, ao permitirem uma interrelação entre as disciplinas do currículo escolar, passam a ter fundamental importância no desenvolvimento de tais competências e habilidades, visto que no dia-a-dia proporcionam o exercício da busca e da descoberta, aguçando a curiosidade, a criatividade e aumentando no aluno a capacidade de dominar novas informações e relacioná-las com as antigas; fatores primordiais para o sucesso da aprendizagem.

    Projetos multidisciplinares promovem a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. O que é isso? É identificar os pontos comuns, as relações existentes entre os conteúdos e transportá-los também para as suas ações diárias, contextualizá-los. É fazer com que os conteúdos aprendidos na escola tenham aplicabilidade e tenham significado na vida cotidiana do educando; ou seja, que não sejam apenas “matérias” isoladas, sem sentido, decoradas apenas para fazer prova. Estas ligações podem facilitar o processo de ensino-aprendizagem, uma vez que constroem o conhecimento de forma prazerosa, participativa e interessante, resgatando o gosto de aprender.

   O conhecimento construído através dos Projetos Multidisciplinares deve possibilitar a análise crítica de valores sociais, desenvolver o respeito mútuo – uma vez que requer uma maior interação entre os alunos – e fortalecer a aquisição de hábitos saudáveis, pois faz com que o aluno se reconheça como elemento integrante do processo e permite maior conscientização sobre os diversos aspectos relacionados às situações cognitivas, afetivas e sociais ao permitir o uso de estratégias individuais e grupais nas práticas e resoluções de problemas.

   Um Projeto Multidisciplinar bem planejado, onde a equipe pedagógica esteja realmente envolvida, que não seja imposto, que motive e seja direcionado para o interesse da turma, tende a obter sucesso, mas é, sem dúvida, uma tarefa que requer grande esforço de todas as partes, pois exige a ruptura com o ensino reprodutor e com o saber parcelado que é onde existe a divisão do pensamento e do conhecimento. Exige uma contínua interinfluência entre teoria e prática de modo que se enriqueçam reciprocamente; e exige intervenção e avaliação continuada.Enfim, o pensar e agir interdisciplinar e multidisciplinar se apoia no princípio de que nenhuma fonte de conhecimento é em si mesma completa, e que ao se interagirem surgem novos desdobramentos na compreensão da realidade e de sua apresentação.

    As pipas podem ser um ótimo exemplo ou recurso para ensinar Português, Matemática, Geografia, Artes, História, Educação Física, Ciências, Química, Física e valores. Trabalhada de forma interdisciplinar e multidisciplinar, desenvolve a criatividade, a coordenação psicomotora, o espírito de equipe; incentiva a pesquisa, a leitura e a produção de texto; resgata brincadeiras populares, ensina formas geométricas, medidas e sistema métrico; a diversidade cultural; prevenção de acidentes; fundamentos físicos, misturas e processos químicos; grandes descobertas a partir da dinâmica do voo da pipa; enfim, com um pouco de criatividade, o professor pode navegar pelo conteúdo de sua disciplina utilizando recursos inimagináveis, reorganizando, refazendo, replanejando, reavaliando sua prática e reinventando a educação de qualidade.

Vanja Ferreira – Mestre em Educação, pedagoga, coordenadora pedagógica, escritora, docente universitária, educadora física, gestora escolar e Prêmio Victor Civita Professor Nota 10.

Matéria publicada no "JORNAL VIRTUAL PROFISSÃO MESTRE
Acesse www.profissaomestre.com.br

Pedagogia do Amor

   
    Num tempo em que a aparência vale mais do que a essência e a competição impera nos relacionamentos, é imprescindível falar com nossas crianças sobre companheirismo, amizade, amor. Num tempo em que a esperança parece cada vez mais escassa, é fundamental reavivar nossa confiança em dias melhores. Num tempo em que os valores que devem nortear a vida em sociedade são progressivamente esquecidos, é um estímulo encontrar obras como Pedagogia do Amor, de Gabriel Chalita, escritor e professor.
    Em seu livro, Chalita buscou mostrar aos pais e professores a contribuição das histórias universais para a formação de valores da nova geração, tão carente de princípios como respeito, solidariedade e idealismo. O autor tenta fazer isso de forma lúdica, querendo, em um primeiro momento, resgatar no leitor adulto esses valores, para que, na sequência, ele passe isso para seus alunos, seus filhos. São dez histórias da literatura universal es colhidas por Gabriel pela relevância de seus ensinamentos. O autor diz que pretende resgatar em nós, adultos, a criança que um dia já existiu. Segundo ele, “uma criança que com o passar dos anos – e de todas as exigências que vêm no seu encalço –, vai se tornando cada vez mais reclusa e esquecida dos valores nobres que dão a ela dignidade e fidelidade aos seus princípios mais básicos: ser feliz e fazer o outro feliz.”
    Para o escritor, as obras de arte têm como uma de suas características a capacidade de romper a barreira do tempo e do espaço, preservando sua atualidade. Os grandes clássicos da literatura, por exemplo, retratam em suas narrativas as grandes questões universais. Gabriel escolheu, entre esses textos mundialmente conhecidos, histórias como a do Patinho Feio, da Cinderela, de Dom Quixote, de Hércules, e textos da Bíblia, como Davi e o gigante Golias e a história do rei Salomão.

O rei Salomão e o valor da sabedoria

    Salomão foi filho de Davi, o grande rei de Israel. Após sua morte, foi Salomão quem o sucedeu. A Bíblia conta que, certa noite, Salomão teve um sonho. Sonhou que Deus dizia: “Pede o que queres que Eu te dê.” Salomão, ainda jovem, com prudência admirável, pediu a Deus que lhe desse sabedoria para governar. Diz a Bíblia que Deus agradou-se tanto do pedido que, além de sabedoria, deu a Salomão tudo mais que um homem pode querer: poder, riqueza, inteligência, glória e muitos anos de vida para poder aproveitar tudo isso.
    É bastante conhecida a história que versa sobre a sabedoria de Salomão – a de duas prostitutas que vieram até ele exigindo, ambas, a guarda de uma criança. Uma delas disse que a outra havia dormido em cima de seu verdadeiro filho, matando-o sufocado. Ela então trocou as crianças enquanto a outra dormia com seu bebê saudável. Entretanto as duas diziam ser a mãe do bebê. Salomão mandou que trouxessem uma espada para cortar ao meio a criança viva e dar uma metade para cada mulher. A falsa mãe deu de ombros, mas a verdadeira desesperou-se. Salomão então deu o bebê à mulher que nutria verdadeiro amor pelo filho.
    “Saber é poder”, diz o dito popular. Isso faz com que pensemos a respeito da importância da sabedoria em nossas vidas e de como ela pode abrir portas para as mais variadas conquistas. O saber é o instrumento que nos garantirá uma vida mais digna e nos proverá o bem-estar essencial para nossa felicidade. E é necessário muita dedicação para conquistá-lo e para torná-lo nosso aliado nas batalhas do dia a dia.
     Aliás, o que será que pediriam os moços e as moças de nossa geração se lhes fosse dada a mesma oportunidade oferecida ao rei Salomão? O que desejariam receber? O que considerariam mais importante na vida? Felizmente começamos a ver jovens presentes em campanhas fraternas, trabalhos voluntários, projetos voltados às comunidades carentes. Um indício de sabedoria.
    É nosso dever incentivar essa mudança e prosseguir incutindo em nossas crianças e adolescentes lições e exemplos que contribuam à formação de seu caráter para que possamos moldar seres humanos mais sábios, empreendedores e competentes. Seres que tragam em si a prudência e a sensatez do rei.

O Patinho Feio e o valor do respeito

    Quem não conhece a história do Patinho Feio? Quem nunca sofreu ou ao menos se comoveu com sua trajetória de sofrimento apenas por ser considerado feio e estranho aos seus? A riqueza da história de Hans Christian Andersen reside na capacidade de nos tocar profundamente, de despertar em nós o sentimento de amor ao próximo, de solidariedade e de respeito às diferenças.
    Na história, como na vida real, o preconceito de cor, gênero, credo ou classe social prescinde de lógica e de racionalidade para se estabelecer. Não há alegação plausível, nem por parte dos intolerantes, a capacidade de refletir sobre a importância do outro como peça fundamental no jogo social. Um jogo que necessita das relações de troca, de amizade e de aprendizado que vêm da convivência pacífica entre todos – independentemente da origem ou da história de cada um.
    Seja em casa ou na escola, temos o dever de orientar nossas crianças para a aceitação do outro, para a compreensão de que condutas preconceituosas só colaboram para a degradação das relações e da sociedade com um todo. A mensagem de Andersen é clara: a despeito das experiências dolorosas, temos de continuar acreditando em nós mesmos e também nos outros – mesmo que, a princípio, pareçam tão diferentes. Temos de acordar para o fato de que todos podemos ser como cisnes belíssimos, prontos para aproveitar a primavera e para viver uma vida pacífica e digna.

A responsabilidade é nossa

    Diz Gabriel Chalita: “Devemos estar conscientes da importância de nosso papel e amparar, reerguer, reavivar os sentimentos, valores e atitudes que poderão renovar a confiança em dias melhores. Que essa consciência seja uma realidade e um estímulo a vocês, companheiros de jornada, colegas de cena neste teatro fabuloso que é a escola da vida.”
Façamos com amor, sabedoria e respeito a nossa parte!

Fonte: revista Profissão Mestre (por Valéria Poletti)

Pedagogo

Indivíduo que se ocupa dos métodos de educação e ensino.



O QUE É?
O pedagogo é o profissional especialista em educação, sua função é produzir e difundir conhecimentos no campo educacional. Ele precisa ser capaz de atuar em diversas áreas educativas e compreender a educação como um fenômeno cultural, social e psíquico complexo e capaz de produzir e difundir conhecimentos no campo educacional.

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS NECESSÁRIAS?
É preciso ter capacidade de planejamento e execução de planos, dinamismo, além de saber comunicar e transmitir idéias. Este profissional precisa estar preparado para enfrentar, com criatividade e competência, os problemas do cotidiano, ser flexível, tolerante e atento às questões decorrentes da diversidade cultural que caracteriza nossa sociedade. Características desejáveis: equilíbrio emocional trabalhar bem em equipe objetividade criatividade gostar de lidar com público capacidade de comunicar-se ter iniciativa gostar de ensino desembaraço

QUAL A FORMAÇÃO NECESSÁRIA?
Para atuar como Pedagogo, é indispensável que o profissional possua o Ensino Superior em Pedagogia que tem duração de quatro anos. Para se especializar na área de Educação/Ensino, o profissional pode optar por cursos como: Especialização em Administração Escolar; Especialização em Formação de Recursos para Educação Infantil; Especialização em Educação Especial-Deficiência; Mestrado em Educação Escolar. Atualmente, além da formação comprovada e do domínio das tecnologias de informação e educação, uma das características mais importantes para o pedagogo é a capacidade de gerenciamento da formação continuada.

PRINCIPAIS ATIVIDADES
Dentre as atividades do pedagogo destaca-se a administração escolar, onde realiza estudos e pesquisas nas áreas pertinentes á educação e coordenação de cursos visando ao aperfeiçoamento do ensino e suas técnicas; o magistério pré-primário, onde tem como responsabilidade o planejamento, orientação e coordenação de atividades técnico-pedagógicas e administrativas do ensino pré-primário; a educação de deficientes da áudio-comunicação, lecionando, planejando, organizando e coordenando cursos; a orientação educacional a fim de ajudar o aluno a ajustar-se ao ambiente escolar e ao meio social em que vive, através do desenvolvimento da personalidade e do encaminhamento vocacional. O pedagogo atua também na supervisão de ensino em empresas, na área de Recursos Humanos (organização e coordenação de cursos).

ÁREAS DE ATUAÇÃO E ESPECIALIDADES
Administração escolar: gerenciar estabelecimentos de ensino, supervisionando recursos humanos, materiais e recursos financeiros necessários ao funcionamento. Ensino: lecionar no ensino fundamental ou médio e, com pós-graduação no ensino universitário. Educação Especial: desenvolver material didático e lecionar para crianças e adultos portadores de alguma deficiência. Orientação Educacional: orientar e ajudar estudantes no processo de aprendizagem com uso de métodos pedagógicos e psicológicos. Supervisão educacional: orientar e avaliar professores e educadores visando à qualidade do ensino. Treinamento de recursos humanos: desenvolver programas de treinamento para funcionários de uma empresa. Assessoria pedagógica em serviços de difusão cultural (museus, centros culturais) e de comunicação de massa (jornais, revistas, televisão, editoras, rádios, agências de publicidade); Terceiro Setor (ONGs): na coordenação de programas e projetos de natureza educativa nas áreas da saúde, meio-ambiente, trânsito, PROMOÇÃO social, lazer e recreação, etc.

MERCADO DE TRABALHO
Este é um mercado de trabalho bastante concorrido, mas que está sempre em expansão tanto no setor público como no privado, devido à demanda da escola gerada pelo crescimento demográfico. Uma garantia disso é que a educação é o único setor que tem desde a constituição de 1998, recursos públicos obrigatoriamente vinculados que devem ser destinados para a educação. Os mais bem preparados têm o seu lugar assegurado no mercado de trabalho. Aí está a grande importância em escolher a escola que cursará Pedagogia.

CURIOSIDADES
A história da educação e da formação de profissionais habilitados para ensinar, no Brasil, começou com os jesuítas, ordem religiosa que veio juntamente com os colonizadores na tentativa de catequizar os índios. Em 1759 os jesuítas foram expulsos do território brasileiro, na época eles mantinham 36 missões, 17 colégios e seminários, além de inúmeras escolas de primeiras letras. Depois da saída da Cia de Jesus a educação ficou durante quase um século estagnada, só então no Império foram fundadas as primeiras escolas de formação de professores. Em 1934, Anísio Teixeira fundou o primeiro curso de nível superior para professores e fundou o Instituto da Educação, no Rio de Janeiro, então capital do Império. A maior contribuição brasileira à pedagogia internacional foi a invenção de um sistema de alfabetização de adultos aplicado no Rio Grande do Norte, em Sergipe e em Pernambuco, por Paulo Freire em 1950.

Fora da Escola

Com a valorização social do conhecimento, pedagogos passam a ser requisitados também em instituições e espaços não escolares

Brinquedotecas, um dos espaços de atuação dos pedagogos

    O campo de trabalho do pedagogo não se limita mais às escolas. "Antes, a pedagogia era restrita às séries iniciais e a determinadas funções na escola. Hoje pode ser uma aliada em outras áreas, nas quais os pedagogos se inserem em equipes multidisciplinares", diz a pedagoga e consultora Sueli Dib. 
    As possibilidades são as mais variadas: organizações sociais, brinquedotecas, clubes, hotéis, desenvolvimento de materiais e metodologias para a educação a distância e, até, empresas e hospitais.  Essas oportunidades, analisa Sueli, surgem em virtude do eixo da formação do pedagogo: a aprendizagem, cada vez mais valorizada na sociedade do conhecimento.
    "A pedagogia habilita para a didática e metodologia de ensino, que são essenciais para quaisquer outras áreas do conhecimento", diz a consultora.  Uma área que está conquistando espaço com a rápida difusão das novas tecnologias da informação é o design instrucional - planejamento de materiais para a educação, especialmente educação a distância.
    Desse modo, o pedagogo cria ciclos de atividades e um plano geral de curso, além de definir quais são as técnicas mais adequadas ao propósito do curso e as melhores ferramentas de avaliação. Essa especialidade está bastante ligada à educação a distância, mas não se limita a ela. "O profissional pode aplicar esses métodos em treinamentos presenciais e em cursos acadêmicos também", explica Sueli.
    Os pedagogos também estão sendo requisitados a atuar nos setores de recursos humanos de empresas. Nesse ambiente, atuam com o objetivo de aprimorar os processos da empresa por meio da valorização do conhecimento e da aprendizagem. Ou seja, trabalham para a instalação de uma cultura de formação continuada e de constante busca de informações e conhecimento com a finalidade de melhorar a qualidade do atendimento dos clientes e o relacionamento com os funcionários.
    "O conhecimento que o pedagogo adquire sobre aspectos sociais e psicológicos do ser humano durante o curso se tornou importante no contexto mais amplo do mercado de trabalho, ampliando suas possibilidades de inserção profissional", diz a vice-presidente da Associação Universitária de Pedagogia do Brasil, Wania Madeira.
    Desse modo, além de empresas, o pedagogo também encontra espaço de trabalho em equipes multidisciplinares, agregando suas competências às de profissionais das mais diversas áreas: engenheiros, arquitetos, médicos, web designers , publicitários, entre tantas outras. 
    Nesse contexto em que uma visão mais interdisciplinar do conhecimento está ganhando espaço, a pedagoga Vera Melis, da Organização Mundial pela Educação Pré-Escolar (Omep),  conta que tem sido convidada por médicos pediatras para falar sobre desenvolvimento infantil e sobre cuidados com bebês e crianças. "É um movimento interessante e importante acontecendo que pode ser muito positivo no sentido de melhor colaborar para o desenvolvimento das crianças", diz Vera.
    Outra área que tem se destacado é a pedagogia hospitalar, voltada para crianças ou jovens que ficam internados por longos períodos e, por isso, ficam impedidos de frequentar a escola. Nesse contexto, o profissional não só  realiza atividades didáticas com o paciente, mas também dá apoio psicoafetivo a ele e à família a fim de facilitar a adaptação ao espaço hospitalar. 

quinta-feira, 28 de maio de 2015

PEDAGOGIA DE PROJETOS

“A educação é um processo de vida, não uma preparação para a vida presente, tão real e vital para o aluno como o que ele vive em casa, bairro ou nos pátios.”
(Dewey)


AUTORA
Soraya Mendonça Marques
(Pedagoga e Professora)
soraya@pedagogiaaopedaletra.com

   A prática de projetos é inerente à própria história da humanidade e utilizar esta prática em todas as fases escolares, propicia o desenvolvimento e a aproximação com uma atividade que é e faz parte do nosso desenvolvimento. Com isso, precisamos antes de tudo, auxiliar os nossos alunos a sonhar; a pensar; a traçar objetivos, estratégias, caminhos, alternativas; a tirar conclusões e a construir o seu conhecimento.

PALAVRAS – CHAVE
Pedagogia de Projetos; Objetivo; Planejamento; Educação.

INTRODUÇÃO
   O maior dos projetos que encontramos como exemplo é o da criação do próprio Universo. Explicar esse início é uma afirmação distante de um consenso. A Ciência busca caminhos, a Teologia há muito determinou seu padrão. E nesse contexto vai se desenvolvendo a História da humanidade.
Apesar de não conhecermos efetivamente o início de tudo, se trata do mais perfeito projeto que conhecemos.  Assim, o desenvolvimento desta fantástica aventura possui fases e caminha, na maioria das vezes, na incerteza. Os novos rumos são construídos, surgem novos desafios e novos caminhos são tomados. Existem as diversidades, divergências, concepções diferentes, ou seja, estão presentes os elementos do inesperado.

BASE CONCEITUAL
   A discussão sobre Pedagogia de Projetos não é nova. Surgiu no início do século, com John Dewey e outros representantes da chamada Pedagogia Ativa. William Heard Kilpatrick, discípulo de Dewey, professor de Pedagogia da Universidade de Colúmbia, lançou, em 1918, a idéia de projetos como uma atitude didática. E, segundo ele, “o projeto constitui uma atitude intencional, com sentido, que se realiza em um ambiente social…, um ato interessado em um propósito”. Esta proposta de Kilpatrick foi inspirada, principalmente em Dewey: “todo conhecimento verdadeiro deriva de uma necessidade”. A humanidade desenvolveu-se tratando de obter conhecimentos que satisfizessem as suas necessidades.
   Na atualidade, a Pedagogia de Projetos ganha força com César Coll, Fernando Hernandez, entre outros, quando ocorre uma série de reflexões sobre o papel da escola, sua função social, o significado das experiências escolares para aqueles que dela participam. Apresenta-se ainda como uma concepção de posturas pedagógicas, e não meramente como uma técnica de ensino mais atrativa. Ela possibilita uma escola alicerçada no real, aberta a múltiplas relações com o exterior, onde o aluno trabalha intensamente e dispõe dos meios para afirmar-se. Permite que ele construa o sentido de sua atividade e oportuniza ao aluno viver com alegria, entusiasmo e conflito suas experiências, propiciando-lhe melhor compreensão da historicidade do nosso tempo, facilitando sua formação como pessoa consciente de seu papel de construtor da história.

FUNÇÃO DO PROJETO
   A função do projeto é a de tornar a aprendizagem ativa, interessante, significativa, real e atrativa para o aluno, englobando a educação em um plano de trabalho agradável, sem impor os conteúdos de forma autoritária. Assim, o aluno busca e consegue informações, lê, conversa, faz investigações, formula hipóteses, anota dados, calcula, reúne o necessário para a solução dos conflitos cognitivos e, por fim, converte para a construção e ampliação de novas estruturas de pensamento.
No processo de inovação curricular, do qual o trabalho por projetos é apenas uma parte, há que se romper com a concepção de neutralidade dos conteúdos escolares, que passam a ganhar significados diversos dos alunos. O acervo de conhecimentos transmitidos, na classe, durante as fases de um projeto, supera em muito os conhecimentos que poderiam ser adquiridos em aulas expositivas e outras atividades, uma vez que os alunos buscam os conhecimentos por necessidade e interesses, como meio e não como fim. Essa função é importante na elaboração do projeto, porque a escola deve colaborar para tornar a aprendizagem significativa para o aluno.
Segundo César Cool, projeto é uma metodologia de trabalho que visa organizar os alunos em torno de objetivos previamente definidos coletivamente, por alunos e educadores; apresenta um conjunto de procedimentos metodológicos de média ou longa duração, com tarefas que atendem a um progressivo envolvimento individual e social do aluno nas atividades empreendidas voluntariamente, por ele e pelos colegas sob a coordenação do educador.
Portanto, um projeto situa-se como uma proposta de investigação pedagógica que dá à atividade de aprender um sentido novo; permite ao aluno viver experiências positivas de confrontos com os colegas, de decidir e comprometer-se pela escolha, de projetar-se no tempo, mediante o planejamento de suas ações e de seus aprendizados como agente na construção do seu próprio conhecimento, quando as necessidades de aprendizagem afloram na tentativa de resolver situações problemáticas reais e diversificadas.
Afirma Souza, que este é um trabalho comprometido com a transformação da instituição de ensino que auxilia na superação do fracasso escolar, pois acreditam na possibilidade de sucesso de todos os alunos. É um processo que leva a turma a organizar-se, a estabelecer as regras de convivência e de funcionamento, a gerir seu espaço, seu tempo, a construir saberes e competências com prazer e significado. Favorece, assim, a construção da autonomia e da autodisciplina por meio de situações criadas em sala de aula para reflexão, discussão, tomada de decisão, observância de combinados, críticas e avaliação do trabalho em andamento, proporcionando ao aluno, ainda, a implementação do seu compromisso com o social tornando-o sujeito ativo e atuante em seu contexto.
É muito difícil que o aluno, de um momento para o outro, comece a ter iniciativa e ter autonomia, sem ter tido anteriormente à oportunidade de decidir, escolher, opinar, dizer o que pensa e sente.

ORGANIZAÇÃO DE UM PROJETO
   Dewey (1952) formula as condições para um bom projeto da seguinte forma:
Um projeto prova ser bom se for suficientemente completo para exigir uma variedade de respostas diferentes dos alunos e permitir a cada um trazer uma contribuição que lhe seja própria e característica. A prova posterior é que haja suficiente tempo para que se inclua uma série de trabalhos e explorações e que suponha um procedimento tal, que cada passo abra um novo terreno, suscite novas dúvidas e questões, desperte a exigência de mais conhecimentos e sugira o que se deva fazer com base no conhecimento adquirido. (p.27).
   O projeto deve visar à solução de um problema amplo, composto de várias indagações que, de preferência, sirva de título ao projeto.
   O projeto não é uma tarefa determinada pelo educador. Deve ser escolhido, discutido e planejado pela classe toda: educador e alunos, o que, aliás, é o seu grande mérito.
   O fixo no projeto serão seus objetivos, suas metas. O planejamento inicial vai sendo redefinido, conforme seja necessário, de acordo com as idéias que vão surgindo e com o próprio crescimento da turma. Assim, acostumam-se os alunos a enfrentar com criatividade situações que, por serem reais, são freqüentemente inesperadas.
   O que caracteriza um trabalho com projetos não é a origem do tema, mas o tratamento dado segundo César Cool a este tema, no sentido de torná-lo uma questão do grupo como um todo e não apenas de alguns alunos ou educadores, de maneira a garantir o envolvimento efetivo de todos os alunos nas diferentes etapas, criando condições necessárias para a eficácia da aprendizagem.
   A construção de um projeto só se dá através do tema desenvolvido com caráter de estimular os alunos de forma bem criativa e espontânea. Isso torna um projeto bem mais atrativo e com mais significado.
   Durante o desenvolvimento de um projeto, o trabalho dos alunos é variado e multidisciplinar. Pode constar de experimentos em classe ou nos laboratórios; relatórios e registros de observações realizadas; entrevistas com especialistas e autoridades no assunto em estudo; pesquisa e coleta de dados em livros, revistas, vídeos, slides, jornais; pesquisa de campo para coleta de dados importantes e pertinentes ao tema do projeto; montagem de glossário, livros, maquetes, boletins informativos; escritas de cartas, bilhetes, convites, confecção de peças, diagramas, esquemas, desenhos, memoriais de cálculo e outros tipos de produções escritas; excursões relacionadas ao tema; realização de passeatas, panfletagens sobre atitudes importantes relacionadas ao tema de estudo.
    O educador, através do seu potencial, suas possibilidades e limitações deve desenvolver o seu lado técnico e afetivo. O conhecimento é construído pelo aluno e o contrato didático que o educador estabelece com a classe é de fundamental importância. O respeito e o afeto ao aluno serão elementos indispensáveis à ação educativa e às intervenções que favorecem a aprendizagem.
   A relação entre pares deve ser maximizada, a fim de propiciar a análise de pontos de vista diferentes. É assim que o aluno aumenta a capacidade de pensar em nível cada vez mais complexo, porque é incentivado a refletir para comprovar ou argumentar em defesa da suas idéias. E quando o aluno tem de pensar ativamente para produzir um resultado, aprende também o prazer de ser pensante.
   Entretanto, o educador nunca deverá ensinar respostas “certas”, nem tampouco corrigir as “erradas”. Ele deverá incentivar o aluno a ter sua própria opinião e deixá-lo decidir por outra resposta, quando esta lhe parecer mais adequada. As idéias “erradas” para César Cool não podem ser eliminadas pelo educador. Elas devem ser modificadas pelos alunos que, com certeza, chegarão à resposta correta, se discutirem o suficiente entre eles, favorecidos por sua intervenção “maiêutica” e inteligente.
   O educador precisa desenvolver sua capacidade de observar e pesquisar a própria prática, procurar ir além e tornar-se melhor mediador da aprendizagem a cada atividade que realiza com seus alunos, pois um projeto pedagógico deve, em seu desenvolvimento, ganhar vida e interesse também para o educador. Assim, em pouco tempo, ele vai perceber que há uma grande diferença entre a transmissão do conteúdo e o estímulo do pensamento, por meio do diálogo permanente entre alunos, mediados por um educador que se motiva com o ato de ensinar.
   Além de promover a interação ativa entre seus alunos e os meios físico e social, o educador vai perceber ainda, que quando estão interessados, todos aprendem mais rapidamente e muito mais do que os conteúdos programáticos tradicionalmente propõem. Isso porque, há um sujeito cognoscente, alguém que pensa que constrói interpretações, um sujeito da construção do seu próprio conhecimento que age sobre o real para torná-lo seu.
  Com certeza, há algum tempo, já está sendo discutido o trabalho com projetos. Também com certeza têm-se estudado muito a respeito. Sabemos que é preciso não utilizar a Pedagogia de Projetos como metodologia de trabalho transformando-a apenas em unidades ou projetos temáticos estabelecidos pelos educadores ou equipe pedagógica da instituição escolar e executados com os alunos. É fundamental que o educador e o aluno construam o projeto.

VANTAGENS DA PEDAGOGIA DE PROJETOS
   Existem vários tipos de projetos: simples, complexos, alguns puramente manuais e também os que podem levar os alunos a uma atividade intelectual intensa, através da pesquisa.
   A pedagogia de Projetos pode ser aplicada a todas as disciplinas do programa curricular, podendo realizar sistemática ou ocasionalmente. Suas vantagens são incontestáveis:
  • proporciona conteúdo vivo, ao contrário dos programas livrescos;
  • segue o princípio de ação organizada em torno de um fim ao invés de impor aos alunos lições cujo objetivo e utilidade não compreendem;
  • possibilita melhorar a compreensão do aluno sobre as necessidades do contexto social; o valor do planejamento cooperativo; os processos do trabalho em grupo e a importância da participação de cada um na atividade coletiva; a relevância dos serviços prestados aos outros e da solidariedade;
  • favorece a construção das aprendizagens significativas e interessantes para o aluno;
  • indica sempre um propósito para a ação do aluno, pois a cada atividade ele sabe o que faz e para que o faz;
  • propõe ou encaminha soluções aos problemas levantados pelos alunos;
  • oportuniza integração de atividades e é um recurso fácil de ser utilizado;
  • concentra o aluno em sua atividade, ajudando-o a ter disciplina e esforço pessoal ao realizar suas tarefas com objetividade e concentração;
  • possibilita um diálogo entre as ciências, dando a elas unidade e interdisciplinaridade;
  • desenvolve o pensamento divergente e possibilita a descoberta das aptidões pessoais e das inteligências dominantes;
  • desperta o desejo de aprender, levando-o à iniciativa, à inventividade, à criação, à responsabilidade e à investigação;
  • habitua o aluno ao esforço, à perseverança no trato e ao enfrentamento de problemas reais;
  • ativa e socializa o ensino, levando os alunos a se inserirem conscientemente na vida social e cultural do seu meio;
  • pressupõe ação direta do aluno sobre o seu processo de aprendizagem de modo a proporcionar-lhe opções de escolha, abertura para tomada de decisões com comprometimento, oportunidade de planificar ações e conscientização de responsabilidade para o domínio da própria aprendizagem;

CONCLUSÃO
   O projeto deve ser considerado como um recurso, uma ajuda, uma metodologia de trabalho, destinada a dar vida ao conteúdo, a tornar a escola mais atraente. Significa ainda acabar com o monopólio do educador tradicional que decide, recorta e define, ele mesmo, o conteúdo e as tarefas tornando-o meio cético. Na Pedagogia de Projetos a atividade do sujeito aprendiz é determinante na construção de seu saber operatório e esse sujeito, que nunca está sozinho ou isolado, age em constante interação com os meios ao seu redor.
   Porém, o fato de os projetos terem todo esse potencial não é garantia de sucesso. Se não houver planejamento cuidadoso, previsão de recursos e, principalmente, interesse e compromisso por parte dos alunos, qualquer esforço pode resultar em desperdício de tempo.
  A Pedagogia de Projetos permite aos alunos terem novos conhecimentos, autonomia e responsabilidade, não só no espaço escolar, bem como no contexto em que eles estão inseridos, as experiências vividas possibilitam aprender a pensar mais criticamente a respeito das informações que são beneficentes para o seu desenvolvimento, tanto intelectual, como cultural sobre o seu aprendizado que é construído para atuarmos na sociedade.

REFERÊNCIAS
  PEGORETTE, Josemar Francisco; SOUZA, Flaviani Almeida; et alii. Pedagogia de projetos. Vitória, SENAI. ES, 2003. 50 p.
   DEWEY, John. Democracia e educação breve tratado de filosofia de educação. 2ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1952.