sexta-feira, 29 de maio de 2015

Arte em Cartão Postal



O correio também pode servir de inspiração artística. É isso que defende a arte postal, criada em meados do século XX em Nova York (EUA). Trata-se de uma forma de arte que utiliza objetos relacionados ao correio como meio de produção. O formato, que ficou popular nas décadas de 1970 e 1980, é composto pela troca de cartas ilustradas, fanzines, envelopes decorados ou ilustrados, cartões postais, objetos tridimensionais etc. Essa arte segue um princípio básico: todos podem mandar e receber postais, mas sem fim comercial, o que faz com que essa modalidade artística não seja priorizada em galerias e mostras.

Para Carlos Zürck Cruz (foto ao lado), professor de Artes no Colégio Estadual Herbert de Souza (RJ), a arte postal tornou-se uma maneira eficaz de cumprir o conteúdo didático previsto pelo currículo escolar e também de envolver os alunos em um projeto cativante. “O projeto surgiu da necessidade de abordar a arte contemporânea – exigida no currículo mínimo lançado pela Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro no início daquele ano (2012) –, de forma dinâmica, lúdica e afetiva, e também como elemento ‘provocador da criação artística’, com base na introdução da linguagem visual da arte postal com a técnica da fotografia, também exigida no currículo mínimo”, explica o educador. Cruz, que sempre teve afinidade com as artes e atuou em jornais estudantis (quando ainda era aluno) e posteriormente em agências de publicidade, conta que a docência surgiu devido ao contato com uma ex-namorada. “Depois de seis, sete anos como artista gráfico, tentei o vestibular de Artes. Como, na ocasião, namorava uma estudante de Pedagogia, a educação foi me contagiando e, ao final, optei por cursar Educação Artística ou Arte Educação, como queira”, relembra o professor.

A relação de Cruz com as artes deu origem, em 2012, ao projeto Arte Postal, do qual já participaram 120 alunos da instituição carioca. “A ideia consistia na produção de postais fotográficos que tinham como norte temático a ‘rua’ e o reconhecimento, além da valorização e do registro visual de seus aspectos conceituais, por meio dos subtemas poética, convívio, vivência e convivência”, comenta. O projeto conta com um diferencial: as imagens só podiam ser captadas por meio de câmeras de celulares. “Não se pode negar que a tecnologia digital, como toda tecnologia, influencia diretamente a formação do indivíduo e a produção artística contemporânea. Portanto, a arte está intimamente ligada ao ‘tempo tecnológico’, e o artista contemporâneo lança mão desses meios”, afirma Cruz. E continua: “Com a adoção do celular como tecnologia e a fotografia com o celular como suporte para a experiência artística, eles perceberam que podem expressar suas ideias, transformar ‘tecnologia de ponta’ em arte, ou seja, em expressão artística pessoal”.

As atividades

As aulas do professor Carlos Cruz não se limitaram apenas ao ensino da arte postal. O educador também debateu com seus alunos o trabalho dos correios na atualidade, a evolução da comunicação, o contexto dos correios no Brasil e no mundo na época do surgimento dessa forma de expressão, as diferenças entre o cenário de 30, 40 anos atrás e a sociedade atual. Outro aspecto das atividades foi o lançamento de uma convocatória (em português, inglês, francês, espanhol e italiano) em sites especializados em arte postal do mundo todo, a artistas dessa área. Com a convocatória, vários artistas entraram em contato com os alunos, o que ampliou o intercâmbio cultural promovido pelo projeto. “Em paralelo, [fizemos] a criação de selos e carimbo exclusivos, relativos ao tema e à escola; impressão e produção dos postais [no tamanho] de 10x15 cm; exibição e análise dos trabalhos recebidos – tudo isso em três meses, percorrendo o segundo bimestre e o primeiro mês do terceiro bimestre letivo”, complementa Cruz. Ao final do quarto bimestre, os postais criados pelos alunos foram expostos na escola, enquanto 24 trabalhos (quatro por turma, um por subtema) escolhidos pelos alunos foram enviados para os artistas que responderam à convocatória. “O trabalho foi um sucesso tanto em termos de empenho, qualidade e produção dos alunos (mais de 120 trabalhos) quanto em obras recebidas. Entre trabalhos nacionais e internacionais, foram recebidas mais de 20 obras de artistas de diversas partes do mundo, com oito países envolvidos (Argentina, Bélgica, Canadá, Estados Unidos, Espanha, França, Inglaterra e Japão), além do Brasil”, revela o professor.

Os alunos se mostraram muito orgulhosos dos resultados obtidos. “Ainda que familiarizados com os artefatos tecnológicos mais contemporâneos, as atividades artísticas mostraram possibilidades que ainda eram uma condição desconhecida para os alunos, então novos valores e significações foram criados por meio do uso expressivo dessa tecnologia tão íntima do alunado”, afirma o professor. O sucesso do projeto também é notado pela direção da escola. “Sua arte, além de estreitar a relação professor-aluno, possibilita diferentes olhares, e essa troca enriquece constantemente a vida dos alunos de uma maneira acessível a todos, já que a principal produção da imagem vem por meio da fotografia digital, que é utilizada atualmente por todas as gerações”, reconhece Heloisa Helena, diretora adjunta do Colégio Estadual Herbert de Souza.

Prêmio

O reconhecimento veio também de fora da escola. O projeto Arte Postal foi um dos cinco vencedores do XIV Prêmio Arte na Escola Cidadã, em 2013, o que, para o professor Carlos, foi motivo de orgulho e comprovação da qualidade do trabalho realizado. “Eu sabia, pela minha experiência, do potencial do projeto. Mas o sucesso deve-se apenas ao fato de os estudantes terem ‘comprado’ a ideia, por meio dessa percepção intuitiva que o jovem tem, desde o primeiro momento”.

O projeto continua no Colégio Herbert de Souza, agora em parceria com o Colégio Estadual Julia Kubitschek, localizado também no Rio de Janeiro (RJ). E Cruz deixa aberta a possibilidade de ampliar ainda mais as atividades. “O futuro é uma hipótese, mas é possível que depois dessas duas experiências, a internacional e a entre escolas do estado no mesmo município, cheguemos ao final deste ano com uma terceira possibilidade que ainda não se pode vislumbrar, não antes de encerrar esse período e avaliarmos os resultados”, conclui.

Matéria de Fábio Torres

Além da Sala de Aula (2011)

Data de lançamento: 24 de abril de 2011 (mundial)
Direção: Jeff Bleckner
Duração: 1h 40m

   Stacey Bess (Emily VanCamp) sempre desejara tornar-se professora e, desde os tempos de escola, batalhara muito para isso. No entanto, aos 16 anos, acaba engravidando e adiando o tão esperado sonho.
   Mais tarde,  recém-formada e com o apoio do marido e dos dois filhos, ela finalmente parte em busca do primeiro emprego, acreditando ter alcançado suas expectativas. Mas, ao contrário de tudo o que pensara, a escola para qual fora encarregada de trabalhar era um prédio que há muito se transformara em um abrigo para pessoas sem lar.
   A sala de aula se encontrava inteiramente deteriorada; não havia material escolar nem verbas nem diretor; os pais das crianças não demonstravam o menor interesse pela educação dos filhos; e, para piorar, seus alunos eram rebeldes e desrespeitosos.
   Assim, por muitos dias Stacey se sentiu desapontada e sem o menor estímulo para continuar com a árdua função de ensinar as crianças que se propôs a educar. No entanto, para não decepcionar os filhos, ela decide encarar a situação de frente e sair à procura de verbas. Mas só encontra resistência por parte de pessoas influentes.
   Contudo, determinada a fazer algo genuinamente importante para ela e pelos outros, ela planeja medidas inovadoras, que mudarão para sempre sua percepção sobre o mundo e de todas as pessoas que dependem dela.
   "Além da Sala de Aula" é baseado em fatos reais e mostra os desafios de uma jovem professora, que faz o que está ao seu alcance para dar aos alunos uma perspectiva de vida melhor.

Brincando no Espelho - Lamlupe (Laboratório Multidisciplinar Lúdico Pedagógico)

Não consegue assistir? Acesse pelo You Tube

   A expressão corporal trata-se de uma forma de comunicação em que o corpo "fala" através dos movimentos e da expressão facial. Neste vídeo, o professor José Urbano nos ensina como a comunicação e a expressão ajuda no aprendizado.

POR QUE TRABALHAR PROJETOS MULTIDISCIPLINARES?

   

  Projeto multidisciplinar é um ótimo recurso para ensinar desde os anos iniciais, pois além de motivador, esta ferramenta faz com que os alunos construam seus conhecimentos interligando as diversas áreas da aprendizagem; faz com que os alunos compreendam as relações existentes entre as linguagens e dão a eles a oportunidade de transformar a sala de aula em uma comunidade de investigação e pesquisa.

   O projeto multidisciplinar constitui uma condição para a melhoria da qualidade do ensino, pois supera a clássica fragmentação existente entre as disciplinas e contribui para a formação global do educando.

  Ao estabelecer um diálogo entre os conteúdos, levantam-se questões interdisciplinares e identificam-se pontos comuns entre eles, levando o educando a um melhor entendimento do mundo concreto e à compreensão destas relações.Desenvolver competências e habilidades são as palavras de ordem na educação contemporânea, e isso significa possibilitar que os alunos adquiram os saberes fundamentais, que os preparem para a nova realidade social e para o mercado de trabalho; neste sentido, o professor precisa mudar sua postura frente à classe, ou seja, proporcionar atividades que integrem as diversas disciplinas e que façam com que o aluno aprenda a identificar, avaliar, formar, analisar situações e relações, cooperar, agir, participar, partilhar, organizar, construir, elaborar conceitos e gerenciar, que são saberes fundamentais para a construção da autonomia.

   Baseado neste discurso, eu acredito que Projetos Multidisciplinares, ao permitirem uma interrelação entre as disciplinas do currículo escolar, passam a ter fundamental importância no desenvolvimento de tais competências e habilidades, visto que no dia-a-dia proporcionam o exercício da busca e da descoberta, aguçando a curiosidade, a criatividade e aumentando no aluno a capacidade de dominar novas informações e relacioná-las com as antigas; fatores primordiais para o sucesso da aprendizagem.

    Projetos multidisciplinares promovem a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. O que é isso? É identificar os pontos comuns, as relações existentes entre os conteúdos e transportá-los também para as suas ações diárias, contextualizá-los. É fazer com que os conteúdos aprendidos na escola tenham aplicabilidade e tenham significado na vida cotidiana do educando; ou seja, que não sejam apenas “matérias” isoladas, sem sentido, decoradas apenas para fazer prova. Estas ligações podem facilitar o processo de ensino-aprendizagem, uma vez que constroem o conhecimento de forma prazerosa, participativa e interessante, resgatando o gosto de aprender.

   O conhecimento construído através dos Projetos Multidisciplinares deve possibilitar a análise crítica de valores sociais, desenvolver o respeito mútuo – uma vez que requer uma maior interação entre os alunos – e fortalecer a aquisição de hábitos saudáveis, pois faz com que o aluno se reconheça como elemento integrante do processo e permite maior conscientização sobre os diversos aspectos relacionados às situações cognitivas, afetivas e sociais ao permitir o uso de estratégias individuais e grupais nas práticas e resoluções de problemas.

   Um Projeto Multidisciplinar bem planejado, onde a equipe pedagógica esteja realmente envolvida, que não seja imposto, que motive e seja direcionado para o interesse da turma, tende a obter sucesso, mas é, sem dúvida, uma tarefa que requer grande esforço de todas as partes, pois exige a ruptura com o ensino reprodutor e com o saber parcelado que é onde existe a divisão do pensamento e do conhecimento. Exige uma contínua interinfluência entre teoria e prática de modo que se enriqueçam reciprocamente; e exige intervenção e avaliação continuada.Enfim, o pensar e agir interdisciplinar e multidisciplinar se apoia no princípio de que nenhuma fonte de conhecimento é em si mesma completa, e que ao se interagirem surgem novos desdobramentos na compreensão da realidade e de sua apresentação.

    As pipas podem ser um ótimo exemplo ou recurso para ensinar Português, Matemática, Geografia, Artes, História, Educação Física, Ciências, Química, Física e valores. Trabalhada de forma interdisciplinar e multidisciplinar, desenvolve a criatividade, a coordenação psicomotora, o espírito de equipe; incentiva a pesquisa, a leitura e a produção de texto; resgata brincadeiras populares, ensina formas geométricas, medidas e sistema métrico; a diversidade cultural; prevenção de acidentes; fundamentos físicos, misturas e processos químicos; grandes descobertas a partir da dinâmica do voo da pipa; enfim, com um pouco de criatividade, o professor pode navegar pelo conteúdo de sua disciplina utilizando recursos inimagináveis, reorganizando, refazendo, replanejando, reavaliando sua prática e reinventando a educação de qualidade.

Vanja Ferreira – Mestre em Educação, pedagoga, coordenadora pedagógica, escritora, docente universitária, educadora física, gestora escolar e Prêmio Victor Civita Professor Nota 10.

Matéria publicada no "JORNAL VIRTUAL PROFISSÃO MESTRE
Acesse www.profissaomestre.com.br

Pedagogia do Amor

   
    Num tempo em que a aparência vale mais do que a essência e a competição impera nos relacionamentos, é imprescindível falar com nossas crianças sobre companheirismo, amizade, amor. Num tempo em que a esperança parece cada vez mais escassa, é fundamental reavivar nossa confiança em dias melhores. Num tempo em que os valores que devem nortear a vida em sociedade são progressivamente esquecidos, é um estímulo encontrar obras como Pedagogia do Amor, de Gabriel Chalita, escritor e professor.
    Em seu livro, Chalita buscou mostrar aos pais e professores a contribuição das histórias universais para a formação de valores da nova geração, tão carente de princípios como respeito, solidariedade e idealismo. O autor tenta fazer isso de forma lúdica, querendo, em um primeiro momento, resgatar no leitor adulto esses valores, para que, na sequência, ele passe isso para seus alunos, seus filhos. São dez histórias da literatura universal es colhidas por Gabriel pela relevância de seus ensinamentos. O autor diz que pretende resgatar em nós, adultos, a criança que um dia já existiu. Segundo ele, “uma criança que com o passar dos anos – e de todas as exigências que vêm no seu encalço –, vai se tornando cada vez mais reclusa e esquecida dos valores nobres que dão a ela dignidade e fidelidade aos seus princípios mais básicos: ser feliz e fazer o outro feliz.”
    Para o escritor, as obras de arte têm como uma de suas características a capacidade de romper a barreira do tempo e do espaço, preservando sua atualidade. Os grandes clássicos da literatura, por exemplo, retratam em suas narrativas as grandes questões universais. Gabriel escolheu, entre esses textos mundialmente conhecidos, histórias como a do Patinho Feio, da Cinderela, de Dom Quixote, de Hércules, e textos da Bíblia, como Davi e o gigante Golias e a história do rei Salomão.

O rei Salomão e o valor da sabedoria

    Salomão foi filho de Davi, o grande rei de Israel. Após sua morte, foi Salomão quem o sucedeu. A Bíblia conta que, certa noite, Salomão teve um sonho. Sonhou que Deus dizia: “Pede o que queres que Eu te dê.” Salomão, ainda jovem, com prudência admirável, pediu a Deus que lhe desse sabedoria para governar. Diz a Bíblia que Deus agradou-se tanto do pedido que, além de sabedoria, deu a Salomão tudo mais que um homem pode querer: poder, riqueza, inteligência, glória e muitos anos de vida para poder aproveitar tudo isso.
    É bastante conhecida a história que versa sobre a sabedoria de Salomão – a de duas prostitutas que vieram até ele exigindo, ambas, a guarda de uma criança. Uma delas disse que a outra havia dormido em cima de seu verdadeiro filho, matando-o sufocado. Ela então trocou as crianças enquanto a outra dormia com seu bebê saudável. Entretanto as duas diziam ser a mãe do bebê. Salomão mandou que trouxessem uma espada para cortar ao meio a criança viva e dar uma metade para cada mulher. A falsa mãe deu de ombros, mas a verdadeira desesperou-se. Salomão então deu o bebê à mulher que nutria verdadeiro amor pelo filho.
    “Saber é poder”, diz o dito popular. Isso faz com que pensemos a respeito da importância da sabedoria em nossas vidas e de como ela pode abrir portas para as mais variadas conquistas. O saber é o instrumento que nos garantirá uma vida mais digna e nos proverá o bem-estar essencial para nossa felicidade. E é necessário muita dedicação para conquistá-lo e para torná-lo nosso aliado nas batalhas do dia a dia.
     Aliás, o que será que pediriam os moços e as moças de nossa geração se lhes fosse dada a mesma oportunidade oferecida ao rei Salomão? O que desejariam receber? O que considerariam mais importante na vida? Felizmente começamos a ver jovens presentes em campanhas fraternas, trabalhos voluntários, projetos voltados às comunidades carentes. Um indício de sabedoria.
    É nosso dever incentivar essa mudança e prosseguir incutindo em nossas crianças e adolescentes lições e exemplos que contribuam à formação de seu caráter para que possamos moldar seres humanos mais sábios, empreendedores e competentes. Seres que tragam em si a prudência e a sensatez do rei.

O Patinho Feio e o valor do respeito

    Quem não conhece a história do Patinho Feio? Quem nunca sofreu ou ao menos se comoveu com sua trajetória de sofrimento apenas por ser considerado feio e estranho aos seus? A riqueza da história de Hans Christian Andersen reside na capacidade de nos tocar profundamente, de despertar em nós o sentimento de amor ao próximo, de solidariedade e de respeito às diferenças.
    Na história, como na vida real, o preconceito de cor, gênero, credo ou classe social prescinde de lógica e de racionalidade para se estabelecer. Não há alegação plausível, nem por parte dos intolerantes, a capacidade de refletir sobre a importância do outro como peça fundamental no jogo social. Um jogo que necessita das relações de troca, de amizade e de aprendizado que vêm da convivência pacífica entre todos – independentemente da origem ou da história de cada um.
    Seja em casa ou na escola, temos o dever de orientar nossas crianças para a aceitação do outro, para a compreensão de que condutas preconceituosas só colaboram para a degradação das relações e da sociedade com um todo. A mensagem de Andersen é clara: a despeito das experiências dolorosas, temos de continuar acreditando em nós mesmos e também nos outros – mesmo que, a princípio, pareçam tão diferentes. Temos de acordar para o fato de que todos podemos ser como cisnes belíssimos, prontos para aproveitar a primavera e para viver uma vida pacífica e digna.

A responsabilidade é nossa

    Diz Gabriel Chalita: “Devemos estar conscientes da importância de nosso papel e amparar, reerguer, reavivar os sentimentos, valores e atitudes que poderão renovar a confiança em dias melhores. Que essa consciência seja uma realidade e um estímulo a vocês, companheiros de jornada, colegas de cena neste teatro fabuloso que é a escola da vida.”
Façamos com amor, sabedoria e respeito a nossa parte!

Fonte: revista Profissão Mestre (por Valéria Poletti)

Pedagogo

Indivíduo que se ocupa dos métodos de educação e ensino.



O QUE É?
O pedagogo é o profissional especialista em educação, sua função é produzir e difundir conhecimentos no campo educacional. Ele precisa ser capaz de atuar em diversas áreas educativas e compreender a educação como um fenômeno cultural, social e psíquico complexo e capaz de produzir e difundir conhecimentos no campo educacional.

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS NECESSÁRIAS?
É preciso ter capacidade de planejamento e execução de planos, dinamismo, além de saber comunicar e transmitir idéias. Este profissional precisa estar preparado para enfrentar, com criatividade e competência, os problemas do cotidiano, ser flexível, tolerante e atento às questões decorrentes da diversidade cultural que caracteriza nossa sociedade. Características desejáveis: equilíbrio emocional trabalhar bem em equipe objetividade criatividade gostar de lidar com público capacidade de comunicar-se ter iniciativa gostar de ensino desembaraço

QUAL A FORMAÇÃO NECESSÁRIA?
Para atuar como Pedagogo, é indispensável que o profissional possua o Ensino Superior em Pedagogia que tem duração de quatro anos. Para se especializar na área de Educação/Ensino, o profissional pode optar por cursos como: Especialização em Administração Escolar; Especialização em Formação de Recursos para Educação Infantil; Especialização em Educação Especial-Deficiência; Mestrado em Educação Escolar. Atualmente, além da formação comprovada e do domínio das tecnologias de informação e educação, uma das características mais importantes para o pedagogo é a capacidade de gerenciamento da formação continuada.

PRINCIPAIS ATIVIDADES
Dentre as atividades do pedagogo destaca-se a administração escolar, onde realiza estudos e pesquisas nas áreas pertinentes á educação e coordenação de cursos visando ao aperfeiçoamento do ensino e suas técnicas; o magistério pré-primário, onde tem como responsabilidade o planejamento, orientação e coordenação de atividades técnico-pedagógicas e administrativas do ensino pré-primário; a educação de deficientes da áudio-comunicação, lecionando, planejando, organizando e coordenando cursos; a orientação educacional a fim de ajudar o aluno a ajustar-se ao ambiente escolar e ao meio social em que vive, através do desenvolvimento da personalidade e do encaminhamento vocacional. O pedagogo atua também na supervisão de ensino em empresas, na área de Recursos Humanos (organização e coordenação de cursos).

ÁREAS DE ATUAÇÃO E ESPECIALIDADES
Administração escolar: gerenciar estabelecimentos de ensino, supervisionando recursos humanos, materiais e recursos financeiros necessários ao funcionamento. Ensino: lecionar no ensino fundamental ou médio e, com pós-graduação no ensino universitário. Educação Especial: desenvolver material didático e lecionar para crianças e adultos portadores de alguma deficiência. Orientação Educacional: orientar e ajudar estudantes no processo de aprendizagem com uso de métodos pedagógicos e psicológicos. Supervisão educacional: orientar e avaliar professores e educadores visando à qualidade do ensino. Treinamento de recursos humanos: desenvolver programas de treinamento para funcionários de uma empresa. Assessoria pedagógica em serviços de difusão cultural (museus, centros culturais) e de comunicação de massa (jornais, revistas, televisão, editoras, rádios, agências de publicidade); Terceiro Setor (ONGs): na coordenação de programas e projetos de natureza educativa nas áreas da saúde, meio-ambiente, trânsito, PROMOÇÃO social, lazer e recreação, etc.

MERCADO DE TRABALHO
Este é um mercado de trabalho bastante concorrido, mas que está sempre em expansão tanto no setor público como no privado, devido à demanda da escola gerada pelo crescimento demográfico. Uma garantia disso é que a educação é o único setor que tem desde a constituição de 1998, recursos públicos obrigatoriamente vinculados que devem ser destinados para a educação. Os mais bem preparados têm o seu lugar assegurado no mercado de trabalho. Aí está a grande importância em escolher a escola que cursará Pedagogia.

CURIOSIDADES
A história da educação e da formação de profissionais habilitados para ensinar, no Brasil, começou com os jesuítas, ordem religiosa que veio juntamente com os colonizadores na tentativa de catequizar os índios. Em 1759 os jesuítas foram expulsos do território brasileiro, na época eles mantinham 36 missões, 17 colégios e seminários, além de inúmeras escolas de primeiras letras. Depois da saída da Cia de Jesus a educação ficou durante quase um século estagnada, só então no Império foram fundadas as primeiras escolas de formação de professores. Em 1934, Anísio Teixeira fundou o primeiro curso de nível superior para professores e fundou o Instituto da Educação, no Rio de Janeiro, então capital do Império. A maior contribuição brasileira à pedagogia internacional foi a invenção de um sistema de alfabetização de adultos aplicado no Rio Grande do Norte, em Sergipe e em Pernambuco, por Paulo Freire em 1950.

Fora da Escola

Com a valorização social do conhecimento, pedagogos passam a ser requisitados também em instituições e espaços não escolares

Brinquedotecas, um dos espaços de atuação dos pedagogos

    O campo de trabalho do pedagogo não se limita mais às escolas. "Antes, a pedagogia era restrita às séries iniciais e a determinadas funções na escola. Hoje pode ser uma aliada em outras áreas, nas quais os pedagogos se inserem em equipes multidisciplinares", diz a pedagoga e consultora Sueli Dib. 
    As possibilidades são as mais variadas: organizações sociais, brinquedotecas, clubes, hotéis, desenvolvimento de materiais e metodologias para a educação a distância e, até, empresas e hospitais.  Essas oportunidades, analisa Sueli, surgem em virtude do eixo da formação do pedagogo: a aprendizagem, cada vez mais valorizada na sociedade do conhecimento.
    "A pedagogia habilita para a didática e metodologia de ensino, que são essenciais para quaisquer outras áreas do conhecimento", diz a consultora.  Uma área que está conquistando espaço com a rápida difusão das novas tecnologias da informação é o design instrucional - planejamento de materiais para a educação, especialmente educação a distância.
    Desse modo, o pedagogo cria ciclos de atividades e um plano geral de curso, além de definir quais são as técnicas mais adequadas ao propósito do curso e as melhores ferramentas de avaliação. Essa especialidade está bastante ligada à educação a distância, mas não se limita a ela. "O profissional pode aplicar esses métodos em treinamentos presenciais e em cursos acadêmicos também", explica Sueli.
    Os pedagogos também estão sendo requisitados a atuar nos setores de recursos humanos de empresas. Nesse ambiente, atuam com o objetivo de aprimorar os processos da empresa por meio da valorização do conhecimento e da aprendizagem. Ou seja, trabalham para a instalação de uma cultura de formação continuada e de constante busca de informações e conhecimento com a finalidade de melhorar a qualidade do atendimento dos clientes e o relacionamento com os funcionários.
    "O conhecimento que o pedagogo adquire sobre aspectos sociais e psicológicos do ser humano durante o curso se tornou importante no contexto mais amplo do mercado de trabalho, ampliando suas possibilidades de inserção profissional", diz a vice-presidente da Associação Universitária de Pedagogia do Brasil, Wania Madeira.
    Desse modo, além de empresas, o pedagogo também encontra espaço de trabalho em equipes multidisciplinares, agregando suas competências às de profissionais das mais diversas áreas: engenheiros, arquitetos, médicos, web designers , publicitários, entre tantas outras. 
    Nesse contexto em que uma visão mais interdisciplinar do conhecimento está ganhando espaço, a pedagoga Vera Melis, da Organização Mundial pela Educação Pré-Escolar (Omep),  conta que tem sido convidada por médicos pediatras para falar sobre desenvolvimento infantil e sobre cuidados com bebês e crianças. "É um movimento interessante e importante acontecendo que pode ser muito positivo no sentido de melhor colaborar para o desenvolvimento das crianças", diz Vera.
    Outra área que tem se destacado é a pedagogia hospitalar, voltada para crianças ou jovens que ficam internados por longos períodos e, por isso, ficam impedidos de frequentar a escola. Nesse contexto, o profissional não só  realiza atividades didáticas com o paciente, mas também dá apoio psicoafetivo a ele e à família a fim de facilitar a adaptação ao espaço hospitalar.